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Paranapanema coisa de Poema


sobre a vantagem de ser inteiro

 

das bandas de cá, tudo retorna ao normal
aquelas musiquinhas de sempre que eu já conheço, você também,
aquela que sempre ele quer mudar, desconstruí
o normal de sempre ter sempre o meu quero mais

ficou agora esse poema sem sons de avião
restou só a vontade de ir pra outro lugar
pra se jogar feito a pedra que queria nadar, mergulhei.
motor desligado, silêncio da espada que cheira o ar

submerso andei pela rua de novo, surdo de todos
por que ficou tudo na memória, fiquei noite sem luar
preferi nem comentar, gostei dessa de ficar quieto e olhar

resta a nós vantagem de sempre inteiro poder estar
ser sempre o tempo inteiro intenso
a cada dia novo que passo inteiro mesmo sem poder voar

escrito

 

Giovani Pansanato



Escrito por paranapoema às 00h32
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Uma cena qualquer.

 

 


Ela entrou pela porta, cansada, foi se livrando das coisas que pendiam sobre seu corpo e, delicadamente, em uma bagunça quase milimétricamente pensada, repousou as bolsas e pacotes pelo chão. A face mirava o assoalho e a visão não possuía qualquer objetivo. Não acendeu a luz. A claridade que vinha da rua parecia sutilmente mais bem vinda e delicada.

Caminhou até a cozinha e pegou uma taça e uma garrafa de vinho. Sentou-se ao sofá e derramou sorrateiramente o liquido púrpura nas encostas do copo de espessura fina e fria. Encostou sobre os lábios e pôs-se a sorver o líquido como quem absorve a própria vida. O silêncio era suficiente, o barulho dos carros e a música orquestrada da cidade que termina o dia, tocavam uma harmonia que ela quase podia bailar. O silêncio da observação.

Insistentemente tomou o jornal do dia nas mãos. Limitou-se a ler seu horóscopo que insistia em demonstrar a previsibilidade da astrologia e a consulta inútil sobre seus próximos passos. Era o pedaço de uma história que ainda ninguém havia escrito.

Deitou-se. Cerrou os olhos e ainda assim era possível sentir a lágrima salgada e quente que contornava as curvas da face. Era o dia seguinte que ela esperava chegar. Esse dia que sempre espreita à nossa porta, mas que em chegando, nada mais é que esse mesmo dia em que se espera o que virá depois, dali às outras vinte e quatro horas.
De bruços na cama, sentiu o cheiro macio do lençol que acabara de chegar da lavanderia e que ela havia disposto sobre o colchão de maneira que não o amassasse. Adormeceu.

O sono tranqüilo foi interrompido por um toque que massageava carinhosamente sua testa, no curto espaço acima do nariz e entre os dois olhos. E, com dois olhos negros também se deparou assim que se dispersou da sonolência. Era ele.

Havia acabado de chegar e cumprir um trajeto que observava cuidadosamente os passos dados por aquela que ele conhecia tão bem. Quase podia imaginar seu rosto e a expressão lânguida que a tomou assim que entrou pela porta de sua casa. Deitou-se ao seu lado na cama, por ora, quente. Olhou-a longamente, até resolver acariciar-lhe a tez adormecida. O silêncio fora quebrado pelo jazz ronronando na vitrola antiga. Era possível ouvir as pequenas imperfeições que a agulha do aparelho causava nas ondulações do velho disco de vinil.
Assim ficaram durante longas horas. Olhando-se como se o mal-fadado passar do tempo não lhes tomasse de assalto. É esse o medo de quem não quer ir embora.

Abraçaram-se com cuidado. As palavras foram adiadas para o próximo encontro, que também assim, deveria ser, sem circunstância propícia ou planejada.
Despediu-se sem nada prometer. E ela assim o queria, sem juras curtas de um amor infindo. A surpresa agradava mais que o compromisso acompanhado de flores vermelhas. Foi-se assim.

Ela, tendo ficado, tomou mais um gole do vinho e dormiu sobre os cheiros confundidos, deixando o saxofone tripudiar sobre a dor que não a havia alcançado.

 

Priscila Basile



Escrito por paranapoema às 08h19
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A RUA
Música sem sentido
cavalos de guerra
marchas do poder
paralelepípedos de ladeira
cabeleiras brancas
rezadeiras nas janelas
sentinelas de esquina
chinelos perdidos
dores físicas dos pés
um olhar indiano
a cor estampada no pano
o som gregoriano na mente
curvas de ir embora
mandalas de São Tomé
amigos vindos de longe
boi berrando no sertão
batuque - centro - senzala
carnaval x procissão
                                            (dedicado ao povo que sai às ruas de Piraju)
paulo vigu


Escrito por paranapoema às 20h45
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O REI E O RIO

O rei daqui morreu

O trem nunca passou

E o poeta então me disse

Vá embora!

E eu respondi:

O rio daqui é meu

O rio daqui é seu

Eu gosto mesmo

Quando a água passa e vai embora  ~~~~~~~~~~ 

paulo vigu



Escrito por paranapoema às 20h32
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(para Tânia Guerra)

 

Sem fogos coloridos

Nem grito de guerra

A ala da tristeza saiu da concentração.

Chora porta bandeira

Rasga uma avenida no rosto pintado.

Cada lágrima teimosa

Enche o Panema de emoção.

O surdo agora está mudo,

Calaram o tamborim.

Enredo, plumas e fantasias,

Tudo aprisionado dentro do baú.

Sonho desfeito é alegoria sem conserto.

Aceita remendo.

Mas não suporta peso algum.

É carnaval, há samba no ar.

Distante uma bateria murmura.

Mas, o brilho vibrante nos olhos do povo,

Esse ano não vai dar para ver.

Tropeçaram no passo marcado.

Roubaram a ilusão

Perdi o rebolado

Deixo um rastro de purpurina

Rumo ao bloco da solidão.

 

 

João Reimão



Escrito por paranapoema às 18h42
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O barco (ao Ige)

 
 
Ao  longe
eis que a vejo assim
como um barco
que navega
dentro de mim.
 
Não vem devagar
vem depressa
avança
um porto alcança
n algum lugar.
 
Eis na verdade
o porto: o coração
o barco
é a saudade
de meu irmão.
 
      Christina Mello
 


Escrito por paranapoema às 12h45
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a louca da bica

 

ela

abandonou-se

e

ausente

de

si

escorriam

pelas

pernas

 

as lágrimas tristes

da menstruação

 

Carlos Alberto Muzilli



Escrito por paranapoema às 16h01
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Ige

 

A vida é tão breve

Que nos assusta

Atravessar o portal

E ir para sempre

Sempre estar na memória

Sonho que não vai embora

Nunca dizer adeus jamais

O tempo é o senhor

O tempo não pára

A vida escorre

A vida vai vivendo

A vida vem morrendo

A vida é tão breve que nos espanta

A vida por um fio

O fio da navalha é a vida

A dor da saudade

A lembrança do que ficou

A vida é tão breve e o tempo já passou

E a vida é assim desconcertante

Cai o pano e encerra o espetáculo.

 

Fernando Franco



Escrito por paranapoema às 00h28
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Caminhada

 
 
A tarde cai
há garças e andorinhas
sobre o rio de espelho.
Aperto o passo
meu coração espia
a liberdade.
Amo a vida
mas desconfio dela
efêmera!
Sei que o amor existe
o meu
onde andará?
O céu azul
tece um poema
de sonhos.
Galgo a ponte
acaso comerei as nuvens
de algodão?
Teço meus passos
que vão
a lugar nenhum.
       
        Christina Mello
 


Escrito por paranapoema às 14h05
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Sol & Lua

 

Quando o SOL e a LUA se encontraram pela primeira vez, se apaixonaram perdidamente e a partir daí começaram a viver um grande amor.

Acontece que o mundo ainda não existia e no dia que Deus resolveu criá-lo, deu-lhes então o toque final ... o brilho !

Abateu-se sobre eles uma grande tristeza quando tomaram conhecimento de que nunca mais se encontrariam.

A LUA foi ficando cada vez mais amargurada, mesmo com o brilho que Deus havia lhe dado, ela foi se tornando solitária.

O SOL por sua vez havia ganhado um título de nobreza "ASTRO REI", mas isso também não o fez feliz.

Deus então chamou-os e explicou-lhes:

Vocês não devem ficar tristes, ambos agora já possuem um brilho próprio. A LUA entristeceu-se muito com seu terrível destino e chorou dias a fio...já o SOL ao vê-la sofrer tanto, decidiu que não poderia deixar-se abater pois teria que dar-lhe forças e ajudá-la a aceitar o que havia sido decidido por Deus.

No entanto sua preocupação era tão grande que resolveu fazer um pedido a ELE:

Senhor, ajude a LUA por favor, ela é mais frágil do que eu, não suportará a solidão...

E Deus em sua imensa bondade criou então as estrelas para fazerem companhia a ela.a LUA sempre que está muito triste recorre as estrelas que fazem de tudo para consolá-la, mas quase sempre não conseguem.

Hoje eles vivem assim....separados, o SOL finge que é feliz, a LUA não consegue esconder que é triste.

O SOL ainda esquenta de paixão pela LUA e ela ainda vive na escuridão da saudade.

Dizem que a ordem de Deus era que a LUA deveria ser sempre cheia e luminosa, mas ela não consegue isso.... porque ela é mulher, e uma mulher tem fases.

Quando feliz consegue ser cheia, mas quando infeliz é minguante e quando minguante nem sequer é possível ver o seu brilho.

LUA e SOL seguem seu destino, ele solitário mas forte, ela acompanhada das estrelas, mas fraca.

Humanos tentam a todo instante conquistá-la, como se isso fosse possível. Vez por outra alguns deles vão até ela e voltam sempre sozinhos, nenhum deles jamais conseguiu trazê-la até a terra, nenhum deles realmente conseguiu conquistá-la, por mais que achem que sim.

Acontece que Deus decidiu que nenhum amor nesse mundo seria de todo impossível, nem mesmo o da LUA e o do SOL... e foi aí então que ele criou o eclipse.

Hoje SOL e LUA vivem da espera desse instante, desses raros momentos que lhes foram concedidos e que custam tanto a acontecer.

Quando você olhar para o céu a partir de agora e ver que o SOL encobriu a LUA é porque ele deitou-se sobre ela e começaram a se amar e é ao ato desse amor que se deu o nome de eclipse.

Importante lembrar que o brilho do êxtase deles é tão grande que aconselha-se não olhar para o céu nesse momento, seus olhos podem cegar de ver tanto amor.

  

 

Jôsie Garcia



Escrito por paranapoema às 22h43
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movimento

 

eu

tenho

um testículo móvel

apesar disso

não fico imóvel

 

eu

não tenho automóvel

mas os

meus pés

me levam

a qualquer lugar

e se movem

 

eu

não tenho móveis

mas isso

não me

comove...

 

Fernando Franco

 



Escrito por paranapoema às 21h20
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II - sem alfa nem beta

 

caraminholar já é mais mazzaropi

vem lá dos corós

sei lá! Parece que não leu nada

carrapicha com galos e porquinhos

e faz parcerias com sapos

na boa! Coaxando na violinha, cebolão, rio abaixo

dá pra fazer qualquer escrita

 

dia desses com lápis no papel fez rabiscos

pediu pr’eu ler, li de mentirinha

ficou feliz...fiquei calado de jeca

 

tem mania de virar coroinha

aos domingos

e pelar de medo do padre

quem não caraminhola legal

começa a grilar

grilou fudeu...não dá nem pra hospício

presente de Gringo



Escrito por paranapoema às 21h55
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I - Letrado

 

tem gente que neura bem

já percebi

tem gente que neura lelé

meu [tio] professor, por exemplo, neura legal

com quatro anos já usava óculos

e falava bem das matemáticas

 

neurar é coisa chic

diferente de caraminholar

e mesmo quem neura lelé, é chic

vem lá das literaturas

costuma juntar as neurecas feito liame

e às vezes acende o pavio da vela

eureka!

coisa linda de lê

presente de Grego

 

Carlos Alberto Muzilli



Escrito por paranapoema às 21h53
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gestação

Poetas de Piraju & Artes afins 

Escrito por paranapoema às 16h43
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